18 de maio de 2020

Manifesto sobre o tempo

Isaac Newton
O tempo humano é escasso!

Diferentemente do que gostam de pensar muitos, talvez até por parecer lógico ou inteligente, o tempo humano não é relativo. Essa visão de tempo relativo foi absorvida das idéias da relatividade de Albert Einstein, em que condiciona o espaço ao tempo. A relatividade de Einstein funciona muito bem, em parte, no mundo das grandes escalas (estrelas, planetas, nebulosas), enquanto no mundo das escalas humanas (chamemos assim o mundo ao qual vivemos) funciona bem as famosas Leis de Newton. Não que a relatividade não funcione em escalas humanas, ela apenas nos permite uma precisão que para o funcionamento do nosso mundo terreno, é desprezivel.

Por isso as leis de Newton são amplamente estudadas e disseminadas. Elas funcionam bem nas áreas da engenharia civil, na mecânica de automóveis e até na aviação comercial, porque são matematicamente mais simples e oferecem a precisão necessária que a sociedade precisa nessas escalas. E qual é a visão de Sir Isaac Newton sobre o tempo? Em se tratando do tempo, na visão do físico, pode-se dividi-lo em duas partes: o tempo absoluto e o tempo relativo.
A saber a diferença dos dois:

O tempo absoluto é verdadeiro e matemático; flui uniformemente sem relação com qualquer coisa externa e é também chamado de duração; 
O tempo relativo é aparente e comum; é alguma medida de duração perceptível e externa.

O tempo para Einstein é fisico e finito; o tempo para Newton não é físico e é ilimitado.

De um jeito ou de outro, de todo modo, queira você usar as visões de Newton ou queira você usar as visões de Einstein sobre o tempo, é aqui em que ambos apertam as mãos: o tempo humano não é relativo.


Vivemos no mundo físico e limitado. Dessa forma, o tempo que circunda no plano em que vivemos é também material e limitado. Quando nos referimos a matéria, estamos abordando coisas palpáveis e talvez por isso tenhamos construído a ideia de ter tempo. Se o tempo é material e limitado, nada mais natural do que pegá-lo para si, guardá-lo numa caixinha (comumente chamada de relógio) e adquirirmos para nós o sentimento de posse.  

A matéria tempo tem uma particularidade singular: ela é anárquica socialista. Ela não obedece a uma hierarquia de gestão e corre de forma igual para todos. É acessível de forma gratuita e pertence à existência natural de tudo que existe, por isso, podemos afirmar que o tempo é um recurso natural. Como todo recurso natural existente na face da terra, o tempo é finito e, portanto, é escasso. 

O tempo não é um sistema capitalista, como muitos de nós gostamos de pensar. Você não compra mais tempo de seu dia, nem empresta um pouco do seu que possa estar sobrando, a outra pessoa que esteja com tempo em falta. Ele é a unidade mais democrática que se tem conhecimento e é tal qual como a água de um rio: nunca é o mesmo, sempre flui para frente, no entanto, tem um fim.

Assim como todo recurso natural, o tempo precisa ser preservado. E assim como todo o sistema de preservação, o aproveitamento do recurso precisa ser controlado, para que se o use da melhor forma. Controlar o que você faz com seu tempo é preservá-lo para que você sempre o tenha; ter tempo, então, passa ser a uma coisa opcional. Você tem tempo quando você cuida dele e (sim!) ter cuidado, sobre qualquer coisa, é uma opção. 

E como é que você cuida do seu tempo?

Você cuida do seu tempo quando você não o gasta com coisas que possam ser consideradas fúteis, inúteis; a lista de futilidades, nesse caso, não pode ser algo considerado relativo. Lembre-se que na relatividade, algumas coisas não são aplicáveis ao plano humano. Não temos tempo para sermos relativos. O tempo é escasso!

Você gasta mal o seu tempo, quando por exemplo, você se preocupa com o tempo dos outros. Quando você se empenha em procurar saber o que seu semelhante está fazendo e não busca, você mesmo, a descobrir o que fazer com o seu tempo. Quando você entra em sites de fofoca, pesquisa a vida dos outros em redes sociais, aproveita para destilar ódio nas pessoas, você está desperdiçando o seu tempo. Quando você está preocupado com a sexualidade de determinado indivíduo, preocupado com a cor ou a crença dos outros, isso é desperdício de tempo.

Obviamente que você pode, através de uma busca pessoal, procurar estudar a utilização do tempo por outros indivíduos, mas isso não pode ser modelo único de uso do tempo. Você precisa descobrir, você mesmo, do que você gosta, do que não gosta e empenhar seu tempo em desenvolver habilidades que irá aprimorar seus gostos, em prol de algo que não possa ser considerado uma perda de tempo. 

- Está falando em ser "produtivo" o tempo todo?
- Não! Não é isso.

Temos uma noção de produtividade muito atrelada a indústria e aproveitar o tempo não pode ser algo industrial; você não consegue pegar seu tempo e transformá-lo em algo comercializável. O tempo é um recurso natural, mas você não pode o encarar como um bem de consumo. Existe sim uma condição comercial na forma como estruturamos nossas vidas e ela diz respeito a usar uma pequena parcela do tempo que você tem para criar insumos; em troca ao tempo de vida "doado" você receberá "vales de sobrevivência". Essas atividades ligadas a sobrevivência tem um cunho diferente a aquelas atividades correspondentes a vivência. 

Sobreviver é aquilo que você faz para conseguir o mínimo necessário para ter uma vida confortável e preservar sua existência, de forma natural e digna.
Viver é usar o tempo que você tem, fora do mundo de sobrevivência, para dar existência a si mesmo.

Desse modo, ligar o tempo a uma necessidade de ser sempre produtivo, de forma indústrial e linear, é ancorar as atividades de sobrevivência às de vivência. É necessário que se tenha clareza, noção e sabedoria para discernir a diferença daquilo que você faz para sobreviver e aquilo que você faz para "aproveitar a vida". 

Viver é usar o seu tempo para existir. 

Dito isso, aqui cabe uma pergunta: o que você tem feito, com o seu tempo, que esteja contribuindo para dar existência a si mesmo?

Lembre-se que para nós, humanos viventes no plano terrestre, tempo é vida e que vida é um recurso limitado. 

Cuide bem do seu tempo! 😉

7 comentários:

  1. Esse é um daqueles momentos em que termino de ler e preciso refletir por um bom tempo.
    Bela construção de pensamento.

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  2. A gente precisa dar mais valor ao nosso tempo!

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  3. Preciso pensar como tenho gasto meu tempo!

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  4. Eu também Bruna acho que tenho muito tempo perdido!

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  5. A palavra TEMPO basta para um(a) bom/boa entendedor(a) olhar pra dentro de si e ver o que tem feito/produzido com o seu TEMPO.

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  6. Excelente texto! As partes que mais me chamaram atenção, com certeza, foi quando qualificou o tempo como anárquico socialista e quando relaciona o conceito de produtividade a indústria.
    E falando em indústria, acredito que as pessoas vem mudando a forma de utilização do tempo, observo que o mercado de trabalho vem buscando pessoas que possuem autoconhecimento e outras características que só adquirimos quando investimos tempo olhando para dentro de nós. A minha crítica a isso, só é o motivo que leva o surgimento dessa necessidade.

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  7. Me fez lembrar do filme: o preço do amanhã e do minimalismo original (ser ser esse mercadológico que está surgindo) e que sempre é bom reservar um tempo e reorganizar o pensamento de como utilizar o tempo de forma sustentável.

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