18 de julho de 2018

O Gigante que não acordou...

O momento pede calma. Melhor: o momento exige calma!  Nunca no Brasil o povo teve tanto espaço para falar e em nenhum outro momento da nossa história se falou tanto sobre qualquer coisa; em contra partida, nunca se ouviu tão pouco o que os outros têm a dizer.

Talvez com o adendo tecnológico na educação de novas pessoas, associada a essa febre denominada rede social, os conflitos de opiniões nunca tiveram tanto espaço para serem debatidos como agora. A situação é ímpar e todos podem ser coadjuvantes. Mas assim como é positivamente importante que seres humanos tenham espaço para que haja discussão, parece que estamos esquecendo outros viés também fundamentalmente importante: a absorção e a aplicação das ideias.
Nunca no Brasil o povo teve tanto espaço para falar 



Em um mundo em que todos parecem ter algo a dizer, curiosamente, vivemos a sensação de que ninguém (ou quase ele) tem ouvidos, ou olhos, ou tempo. A situação é peculiar. Nunca tivemos tantos brasileiros teorizando, filosofando, questionando... Mas quem está fazendo?

No campo do fazer não tivemos tantos avanços. Muito pelo contrário; no campo do fazer, nos últimos anos, regredimos. Regredimos na saúde - A taxa de mortalidade infantil cresceu pela primeira vez em 26 anos, regredimos na economia - Governo reduz previsão para o PIB em 2018 e regredimos como humanos - Desigualdade no Brasil aumenta em 2018.

27 de outubro de 2014

Crônica: Compartilhe!

Todas as noites, sempre depois de minhas rotinas noturnas, eu retorno pelo mesmo caminho: desço a ladeira, dobro a primeira a esquerda, ando 50 metros, viro novamente a esquerda, faço uma diagonal, atravesso a linha do trem, pego a esquerda de novo; ufa, finalmente uma direita. Pronto, lá está o Senhor.

Todas as noites sempre encontro o mesmo idoso. As vezes sentado na calçada, as vezes distraído com o tempo; quase sempre olhando as estrelas;(sonhando com o que?). Ele fica sempre no mesmo lugar, ta sempre encostado há uma velha parede; lá está sempre, o mesmo homem. Calmo, Um metro e 60, 60 quilos... 60 anos...

Esse homem não me parece ser daqueles que vive uma certa loucura, do tipo que se interna em qualquer lugar e fica torcendo pra morte; muito menos me parece ser um daqueles homens da rua. Ele ta sempre "bem vestido", está sempre sorrindo, sempre me dando boa noite e sempre perguntando como estou.

Ele fica em um em lugar inóspito, longe da muita luz, escondido do espaço, como se não precisasse mostrar para as pessoas que está ali.

O que faz esse homem? O que aconteceu? Por que ele está sempre tão sozinho? Por que não o espanta a solidão? E por que esse sorriso tão melancólico, escondendo alguma tristeza? (Ou será eu que sou triste?)

Será ele o senhor dos sonhos perdidos? O dono do tempo? Aquele tipo de senhor com raiva da vida? Ou será o homem sábio que já deu tudo pro mundo e agora só resta a espera?

E sua família? Por onde anda? Será a cidade a sua família? O que há senhor? Por que não responde?

"A vida é tão abrupta e sozinho a dor tão é maior... Compartilhe..."

Compartilhe homem... Compartilhe...

Sempre a mesma dor... E sempre o mesmo homem...

1 de abril de 2013

Canções para viver mais - por Marcelo Ferla

Matéria publicada na revista Rolling Stone n°18 - Março de 2008.



O quarto de Vinícius fica no meio do corredor, à esquerda. É lá que estão o violão, as partituras, a coleção refinada de CDs: Beatles, Radiohead, R.E.M., Flaming Lips, Tom Waits, Jeff Buckley, Strokes, Air, Beastie Boys, Billie Holliday, Cateano Veloso, Vitor Ramil, João Gilberto. As fileiras são desordenadas e alguns discos cobrem os demais, mas nem preciso revirá-los para ver melhor. Já deu para entender as referências dele. Ao lado da cama de solteiro, coberta por uma colcha do Grêmio, estão um pôster do vocalista do Radiohead, Thom Yorke, o mais brilhante artista da música pop do século 21, e outro do grupo escocês de pós-rock Mogwai, autografado. Na cabeceira da cama repousam, sobre um travesseiro, o terço da primeira comunhão e um CD que estampa na capa a foto de Vinícius - bonito e concentrado, com headphones e agasalho esportivo vermelho abotoado até se formar uma gola alta. "Yoñlu" é o que está grafado na capa do disquinho digital. O estúdio caseiro onde as 23 faixas do CD foram gravadas, entre 2004 e 2006, fica no meio do mesmo corredor, à direita. Abriga o aparelho de som do garoto, mais discos, uma guitarra, um teclado e o seu computador, um PC onde os sons foram registrados com um aplicativo básico de áudio, o Cool Edit Pro, e um microfone.

Os dois cômodos mais freqüentados por Vinícius Gageiro Marques, filho único da professora universitária e psicanalista Ana Maria Gageiro, e segundo do professor universitário Luiz Marques (Fernanda é do primeiro casamento), permanecem arrumados como se ele fosse chegar a qualquer momento do tradicional Colégio Rosário, onde cursava o ensino médio, para navegar na internet e fazer música, seu passatempo predileto. A rotina dele também englobava as visitas ao analista, ao cinema, às aulas de teclado e guitarrra e, sazonalmente, a uma academia de ginástica. "Manter tudo como era faz parte da elaboração da perda", explica Luiz Marques, que me recebeu em uma tarde incandescente do verão sulista, no final de dezembro de 2007, para falar do álbum póstumo de Yoñlu, assinatura virtual (de significado ignorado) de Vinícius, que abreviou a própria vida na tarde de 26 de julho de 2006, 36 dias antes de completar 17 anos, ali mesmo, no apartamento do bairro São Geraldo, zona norte de Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul.

Naquele dia, o garoto permaneceu on-line até lacrar o banheiro, onde morreu por intoxicação de monóxido de carbono. Seus últimos momentos foram acompanhados por internautas com quem ele se comunicava em um fórum virtual de suicídio. Alguns inclusive deram conselhos de como agir para executar o plano preconcebido - às 14h18, Yoñlu relatou que tinha duas grelhas queimando no banheiro, postou uma foto e perguntou: "Alguém, por favor, pode dizer quando posso entrar no banheiro e deitar?"; às 14h42, um internauta pergunta: "Como você está se virando? Espero que você consiga. Talvez você vá voltar tossindo"; às 14h44, Yoñlu retorna ao computador e reclama do calor: "O que eu devo vestir para tornar isso mais suportável? Pelo amor de Deus, alguém por favor me ajude"; às 15h11, um internauta alerta que a emissão do monóxido de carbono pode afetar os vizinhos; algumas horas depois, alguém escreve que o suicídio deve ter sido consumado, pois ele não entrou mais em contato.

7 de abril de 2011

A REVOLTA DOS DÂNDIS

Muito complicado viver em um sistema onde quem pode mandar faz de tudo pra aquele que não tem poder permaneça oprimido com seu inútil sentimento de impotência.

O foda é que o sentimento de impotência poderia vir só, pois, esse sentimento em si por si já se torna autossuficiente, mas desgraça pouca é bobagem; geralmente a impotência vem sempre acompanhada pelo frustação e essa por sua vez alimenta um ódio inútil de um ser que se acha pensante, mas que acaba não fazendo PORRA nenhuma.

Não ajuda muito se o ignóbil também não se esforça; a  grande merda é que o nosso sistema já foi projetado de forma religiosamente perfeita; ele te massacra e atinge no lugar onde você não pode defender; o seu lado cego, seu ponto mais fraco. O SONHO!

Quanto mais você tenta melhorar as coisas, mais as coisas pioram. Você olha toda essa merda de baixo caindo em sua cabeça e percebe toda a grande sacanagem que fazem contigo e então resolve acreditar em algo; e tenta mudar. Sim, porque fazer você acreditar também é uma ferramenta do sistema. Mas logo e então sempre aparece alguém que se julga superior para mostrar que de todas as suas conquistas, por mais gloriosas que elas sejam não passa de um fio de cabelo daquilo que você pode ter realmente, porem, você nunca terá...

Você nunca terá aquilo que o capitalismo te faz sonhar. 

Isso porque sempre que você chega onde seu sonho te leva haverá um sonho maior que precisa ser conquistado após o primeiro. Esse sonho maior será sempre inversamente proporcional ao tempo que você terá para conseguir realiza-lo. E é inevitável; você sempre sonha! Sonhar é ser humano!

A procura da FELICIDADE
Sempre haverá alguém de cima olhando pra baixo e rindo ("Mesmo que esse alguém seja DEUS").  Rindo de um sujeito que tenta alcançar uma cenoura que esta a sua frente pendurada em uma vara de pescar e por mais que esse sujeito corra, a cenoura estará sempre perto, porém, nunca alcançável; assim funciona a roda do capital, do comércio; O CAPITALISMO... É assim apenas que a sociedade da certo.

Culpa do ego, que transforma os grandes milionários em céticos pela luta para uma possível melhora de nosso planeta. Para eles a solução de tudo é o dinheiro.

Talvez os céticos tenham razão: talvez não exista mesmo aquecimento global e talvez não haja mesmo escassez de agua; pra eles o mundo já é perfeito. É bem provável que os gritantes por um mundo melhor só assim os fazem porque não tenha conseguido alcançar o mesmo grau de conforto que os céticos, grandes empresários, tenham alcançado.

Talvez para os céticos o mundo seja mesmo farto e belo como eles dizem. Creio ser ate injustiça pedir pra que eles desçam de suas confortáveis poltronas em seus escritórios com ar condicionado para que participem do inferno que os vagabundos, sacripantas, proletariado miseráveis criaram.

O mundo já é um inferno e a culpa será sempre nossa!

É injusto; a prole destrói o mundo e depois desejam ter um mundo melhor.

 Talvez os céticos sejam aquilo que a prole seria se estivessem no lugar deles.

Quem destrói o mundo é a prole e não os empresários. Os céticos nada fazem. Eles só arrecadam os lucros gerados pela prole.Talvez se a prole cruzasse os braços eles nada teriam a arrecadar... E seriam assim também nossa prole.

Os empresários são nossos empregados e ninguém ver isso!!!

A verdade é que é muito difícil ser um idealista quando lhe falta o necessário pra se ter o básico de uma vida digna; e quando você finalmente alcança dificilmente quer assumir o risco de perder. Foda é você observar pessoas que possuem os bens materiais necessários para obter uma vida de certa forma confortável reclamando das futilidades sentimentalistas e ecológicas da vida... Dizem não ao capitalismo cheio de capitais!

O IDEALISMO É A DEMAGOGIA CRIADA PELO HOMEM PARA ALIMENTAR A ALMA DE INDIVÍDUOS QUE AINDA ACREDITAM NA ESPERANÇA DE ALCANÇAR O QUE JULGAM SER O MELHOR. 

A VERDADE É QUE NENHUM GRANDE GÊNIO CONSEGUIU ALTERAR A GRANDE PIRÂMIDE SUSTENTADA PELO MUNDO, COISAS BOAS EXISTEM, MAS ELAS NÃO SÃO, NÃO DETERMINAM E NEM CONCLUEM NADA; E EMBORA EU CONTINUE ACREDITANDO QUE A VIDA AINDA TENHA JEITO COMEÇO A ME PERGUNTAR:

Jeito? Que jeito?  ¬¬